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sábado, 27 de junho de 2009

Mil Quilômetros de Solidão - Por Jonas Reis

Encontrei esse texto no Blog do Rodolfo Lucena, que tem o link em minhas sugestões de Blog. No texto temos uma bela história de como as coisas acontecem dentro dos corredores, sejam iniciantes ou experientes: Essa nossa batalha interna contra a solidão do tempo. O autor começou a correr recentemente. Seu nome é Jonar Reis, 56 anos, jornalista e servidor público, mora em Vitória-ES e seu atual objetivo é correr sua primeira maratona no primeiro semestre de 2010. Com autorização do autor publicamos o texto. Aproveitem!

No dia 1º de janeiro de 2008 eu voltava de carro com a Glória, do Rio de Janeiro para Vitória, depois de passar o Réveillon em Copacabana. Preocupado com a estrada, achei que já fosse “furar” a promessa de Ano Novo: começar a treinar no primeiro dia do ano e correr 1.000 quilômetros até 31 de dezembro.

Corredores experientes vão achar pouco, mas para mim era uma meta considerável.

Aos 54 anos, dei os primeiros passos nas corridas em 2007, incentivado por um casal de amigos corredores, Mônica e Leandro. Na primeira tentativa, no mês de março, cansei na marca de 400 metros, mas no segundo semestre, quando completaria 55, já havia tornado natural um treino de 5.200m, que é o percurso de ida e volta na ciclovia da orla mais próxima de minha casa. Naquele período, ganhei a primeira medalha participando da prova de 5 KM da OAB. Corri também os 10 KM da Unimed e os 10 KM da Fila. Na minha primeira Dez Milhas Garoto, entre Vitória e Vila Velha, levei uma queda e fiquei na metade da prova, logo depois de atravessar a ponte ligando a ilha ao continente.

Para atingir o objetivo traçado para 2008 era fundamental começar no primeiro dia, pelo aspecto psicológico da coisa. Assim, cheguei à noite em casa, depois de sete horas na estrada, e parti sozinho para os meus 5.200m.

Naquele treino me ocorreu que a imagem mais deslumbrante de uma maratona é a solidão dos competidores. Olhos ansiosos varando a distância, coração e mente pulsando forte, quem sabe que infinitos atravessando o pensamento! Embora treinos e provas ofereçam a oportunidade de compartilhar com outros os prazeres da atividade, o avançar solitário, mesmo em meio a milhares de corredores, exerce atração irresistível. Enquanto os quilômetros se sucedem, repassam-se os sonhos e vira-se a vida do avesso, revendo atitudes e construindo novas possibilidades.

Corri sozinho 99% dos treinos e provas em 2008. Após completar uma a uma as principais provas de Vitória, encarei de novo as Dez Milhas e a medalha veio com gosto de troféu. Em outubro, animado grupo de corredores de uma academia local encontrou espaço para mim em sua excursão e pude correr a Meia Maratona do Rio, algo impensável alguns meses atrás. Depois, sem perder o ritmo, fui sozinho correr em Belo Horizonte os 18 KM da Volta da Pampulha, outra das provas mais bonitas do país.

São Silvestre, assim, era quase uma obrigação, até para encerrar entre 20 mil corredores o ano iniciado com um solitário, curto e tímido treino na noite de Vitória.

No dia 31 de dezembro, desci com cautela as ladeiras do percurso e vivi a indescritível emoção de vencer a subida da Brigadeiro. Atravessei o pórtico da Chegada e agradeci a Deus, única companhia de tantos caminhos pisados. Somava, ali, 1.028 KM de treinos e provas em 2008.

As reflexões feitas na solidão das distâncias percorridas me tornaram mais tolerante. O exercício empreendido me fez mais saudável. Correr, enfim, me fez uma pessoa mais feliz. Ao fazer essas constatações soube, então, que 2008 foi apenas um começo.

sábado, 6 de junho de 2009

Testemunho - Por Rogério de Moraes

Essa nova coluna do Blog, intitulada Relatos e Experiências, será protagonizado por terceiros. Pessoas que mudaram o estilo de vida, correram sua primeira prova, venceram algum desafio pessoal ou algo desse tipo, sempre relacionado a corrida, terão um espaço para dividir com outros suas conquistas pessoais. A intenção é mostrar que todos podemos alcançar nossos objetivos. Tudo depende de paciência, dedicação e treinamento. Quem sabe não inspiramos alguém?

Tive acesso a esse texto, por acaso, na página de comentários do Blog da Runner´s World Brasil. Acessei o Blog do autor (
http://www.obscenum.blogspot.com/) e me deparei com uma infinidade de textos inteligentes sobre cinema, artes e cultura em geral. Seu tema central não é corrida de rua! O autor Rogério de Moraes mora em São Paulo, tem 34 anos e nesse brilhante texto descreve como abandonou o sedentarismo para fazer da corrida a sua religião.
Com a autorização do autor, republico aqui sua experiência. Delicie-se com o texto!

Venho aqui diante desta congregação de fiéis leitores para dar o testemunho da glória e louvar a obra que se fez em minha vida quando aceitei a Corrida em meu coração.

Eu vivia entregue ao vício e ao pecado. O vício do sedentarismo e o pecado da preguiça. Levava uma vida desregrada. Meu corpo e minha alma pertenciam ao demônio do sofá e ao inimigo do controle remoto. Também estava entregue à sedição e à tentação das frituras, das gorduras e do chocolate. Era um desencaminhado na vida e não percebia que estava entregue à banha do tinhoso, ao colesterol de lúcifer, à barriga do demônio, ao corpo disforme dos infernos.

Não queria ver o óbvio, ver minhas banhas grotescas caírem por sobre o cinto de segurança ao dirigir; ou notar como subir uma escada era ofegante, ou perceber como o ar me faltava no simples gesto de amarrar um sapato. Estava cego e surdo aos apelos dos amigos e da família que queriam me tirar daquela vida. Estava me encaminhando para a perdição total de obesidade mórbida, estava indo por um caminho do qual poucos voltavam.

Mas um dia a força de sua obra agiu na minha vida e eu tive a revelação da verdade através do instrumento de sua vontade: a balança. E vi o que não queria ver: 92 kg.

Sim, meu irmãos: no-ven-ta e do-is qui-los!!! Foi aí que entrou em minha vida o sopro da verdade e eu quis buscar a salvação.

Então resolvi mudar de vida e aceitar em meu coração a verdade que liberta, a verdade que salva e que nos leva ao caminho do bem, da retidão, da virtude e da glória da obra da redenção.

Tirei o sedentarismo da minha vida e busquei a salvação da salada e da refeição correta e equilibrada. Mas a maior transformação na minha vida foi Ela quem fez.

Quando comecei não fui além de 500 metros. Os 500 metros mais longos da minha vida. Achei que fosse morrer. Sentia que estava me afogando em oxigênio porque por mais que eu inspirasse não era o suficiente. Mas não desisti, irmãos. Porque sabia que Ela estava preparando uma obra na minha vida, porque sabia que Ela não me abandonaria se eu não A abandonasse. E lutei, meus irmãos. Lutei contra o próprio satanás na forma de ácido lático, na forma de dor no tendão tibial posterior, na forma de contração das vias respiratórias. Busquei alívio e força na compressa de gelo e nos alongamentos com a perseverança de quem busca a luz e o caminho da salvação.

Sim, meus irmãos. Eu aceitei a Corrida no meu coração. Aceitei a Corrida como minha única salvadora e redentora e louvo à sua glória e à transformação que ela operou na minha vida. Hoje sou um novo homem. Hoje pela primeira vez consegui a marca de 10 km e não houve luta, porque Ela estava comigo. E não houve dor, nem lesão, nem cansaço, nem falta de ar. E corri os 10 km tranqüilo e com paz no coração, nos tendões, no joelho e no músculo adutor.

Sim, meus irmãos. Hoje sou um novo homem. 10 kg mais magro, 15 cm menos de barriga e fôlego pra 10 km de corrida. E posso dizer que a Corrida operou um milagre em minha vida e me deu a esperança e a luz e a alegria da endorfina e da dopamina que faltava em minha vida. Aleluia!!!! Irmãos!!! Aleluia!!! Corremos, irmãos. Corremos em seu louvor. E tenhamos fé, quilometro a quilometro, que ela não nos abandonará. Corremos, irmãos... corremos. Aleluia!!!