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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Dobradinha brasileira na Maratona do Rio de Janeiro 2009

Nem o fato dos quenianos quererem quebrar a hegemonia brasileira na prova foi suficiente (desde 2003 somente brasileiros vencem a prova), pois novamente a escrita foi mantida: Em sua primeira participação Marcos Antônio Pereira venceu com o tempo de 2h17m11s.

Marcos Antônio Pereira - Maratona do Rio de Janeiro 2009

O brasileiro se manteve na liderança até o quilômetro 15 quando foi ultrapassado pelos quenianos Willy Kongogo Kimutai e Cheruiyot Robert Kiprotich. A disputa entre os três permaneceu até a subida da Niemeyer, altura do quilômetro 25. A partir deste momento, os dois atletas do Quênia começaram a abrir vantagem sobre o brasileiro. A situação seguiu a mesma até que restando 3km para o fim da prova, Marcos Antônio voltou a se aproximar dos líderes. Nos últimos metros, conseguiu a vitória.

"Foi a vitória mais importante da minha carreira em 18 anos. Eu estava bastante cansado, sentindo dor e vinha treinando em Itamonte, com cinco graus negativos. Mas vi os quenianos ali na frente e o público me empurrando. Aquele espírito entrou em mim e consegui superar tudo. Nunca tinha participado da Maratona do Rio. Esse percurso é o mais bonito que conheço" comemorava Marcos Antônio, que tratou logo de pegar o telefone e ligar para a mãe, que mora em Garanhuns (PE).

"Disputo a maior parte das competições na Europa e senti muito o calor e a umidade. Infelizmente nos últimos metros não deu para segurar o brasileiro. O mais incrível é que ouvi de vários cariocas que hoje não está quente" disse o vice-campeão Willy Kongogo.

Entre as mulheres, Marizete de Paula levou a melhor: 2h42m46. Em sua terceira participação na prova, Marizete de Paula finalmente subiu ao lugar mais alto do pódio depois do terceiro lugar em 2000 e 2006. "Ainda não estou no melhor da minha forma e foi uma surpresa essa vitória. Até a metade da prova estava correndo para terminar em 2h40m, mas consegui abrir uma vantagem e acabei trabalhando para segurar apenas a vitória, que era o mais importante".

Marizete de Paula - Maratona do Rio de Janeiro 2009

Resultado Final (Maratona e Meia Maratona)

MARATONA MASCULINA
1º Marcos Antônio Pereira (Brasil) – 2h17m11s
2º Willy Kongogo Kimutai (Quênia) – 2h17m24s
3º Marcos Alexandre Elias (Brasil)- 2h18m26s
4º Cheruiyot Robert Kiprotich (Quênia)– 2h19m11s
5º Adriano Bastos (Brasil) – 2h20m15s

MARATONA FEMININA
1- Marizete de Paula (Brasil) – 2h42m46s
2- Idailda dos Santos (Brasil) – 2h45m15s
3- Conceição Maria Carvalho (Brasil) – 2h47m01s
4- Marluce Queiroz Ferreira (Brasil) – 2h47m59s
5- Elizabeth Esteves de Souza (Brasil) – 2h52m14s

MEIA MARATONA MASCULINA
1- William Gomes – 1h05m54s
2- Emmanuel Ibett – 1h05m57s
3- José Paulo Ávila – 1h06m46s

MEIA MARATONA FEMININA
1– Edileuza Guimarães – 1h16m31s
2- Marcia Narloch – 1h1 6m41s
3– Ednah Mukhwana – 1h19m21s

Foto 01: Daniel Zappe (FOTOCOM.NET)
Foto 02: Jorge Willian

terça-feira, 9 de junho de 2009

Marílson Gomes dos Santos classifica para o Mundial 2009

Marílson Gomes dos Santos obteve nesse final de semana dois bons resultados na etapa carioca do Troféu Brasil de Atletismo.
Na tarde de quinta feira feira (04/06) Marilson dos Santos venceu os 10.000m com o tempo de 27m58s83 batendo o seu próprio recorde do evento, que era 28m21s38 obtido em 2004. Com isso, atingiu o índice CBAt (27m59s50) para o Campeonato Mundial de Berlim em agosto desse ano. Agora Marílson está classificado nas provas da Maratona e nos 10.000m. Domingo pela manhã, com o tempo de 13m34s79, Marilson quebrou o recorde dos 5.000m do Troféu Brasil, que era de Ronaldo da Costa, 13m37s37 conquistado em 1993. "Tenho me sentido bem nessas provas, o que me ajudam na preparação para a Maratona (no mundial). Não vou correr o sul-americano, pois tenho que começar a treinar o mais rápido possível para a minha principal prova em Berlim" – afirmou o atleta.

Marílson Gomes dos Santos - Bi Campeão Maratona de Nova York 2006 / 2008

Zapeando pelos Blogs de Corrida de Rua, encontrei no da excelente Revista Contra-Relógio, uma pergunta interessante: Com índice para o Mundial nas provas de 10.000m e Maratona, qual ele deve priorizar? Vamos a alguns fatos para tentarmos entender melhor.

Nos 10.000m seu melhor tempo, 27m28s12, não é páreo para o quase imbatível Kenenisa Bekele, recordista mundial com 26m17s54. Se você pensar nessa prova de 10.000m, são 25 voltas na pista de 400m, com duas fortes equipes (Etiópia e Quênia) cada qual com 3 atletas ditando o ritmo da prova. Vejamos a nacionalidade dos 10 primeiros colocados no último Mundial realizado em Osaka 2007: 3 etíopes, 3 quenianos, 2 americanos, 1 da eritreia e 1 ugandes. Nitidamente vemos que um forte trabalho das duas equipes, onde dois são "escudeiros" e um se poupa para o sprint final. Esse tipo de "ajuda" o brasileiro não terá. O tempo dos cinco primeiros no Mundial de Osaka 2007 é:

1º Kenenisa Bekele (Etiópia) - 27m05s90
2º Sileshi Sihine (Etiópia) - 27m09s03
3º Martin Irungu Mathathi (Quênia) -27m12s17
4º Zersenay Tadese (Eritréia) - 27m21s37
5º Josephat Muchiri Ndambiri (Etiópia) - 27m31s41

Kenenisa Bekele - Mundial Osaka 2007

Por outro lado na Maratona temos mais chances de imprevistos, mesmo a prova sendo realizada em terreno plano. Mesmo atletas com tempos melhores, podem sofrer com fatores externos (clima, humidade, terreno). São duas horas em que o atleta não pode perder o foco. Outro ponto a saber é se atletas de elite, como Haile Gebreselassie e Samuel Wanjiru, estarão presentes, já que o mundial é em agosto e dia 20 de setembro teremos a Maratona de Berlim (não do mundial, premiação milionária, onde os dois querem correr em inacreditáveis 2h03m30s). Inviável correr nas duas, mas é esperar para ver quem alinhará com o brasileiro na disputa. Baseado nos resultados do mundial de Osaka 2007 dá pra sonhar.

1º Luke Kibet (Quênia) - 2h15m59s
2º Mubarak Hassan Shami (Catar) - 2h17m18s
3º Viktor Röthlin (Suiça) - 2h17m25s
4º Yared Asmerom (Eritréia) - 2h17m41s
5º Tsuyoshi Ogata (Japão) - 2h17m42s

Luke Kibet - Mundial de Osaka 2007

Marílson enfretará enormes dificuldades, mas tem demonstrado que os treinos estão surtindo efeito, vide os bons resultados nas provas rápidas. Marílson tem que melhorar sua velocidade e seu sprint final, pois essa é a grande diferença dos africanos, que estão acostumados com finais de provas rápidos. Se fosse uma prova com subidas e descidas, seria mais tranquilo para o seu estilo, mas com terreno plano fica mais complicado. Mas nunca duvidem dele, afinal um cara que é bi campeão em Nova York pode sempre surpreender o mundo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Marizete Moreira vence Maratona São Paulo 2009

Aconteceu no último domingo, 31 de maio, a 15ª edição da Maratona Internacional de São Paulo. O evento se consolidou como o maior do país, tendo a participação de 15 mil atletas.

15 mil pessoas nas ruas de São Paulo

No Masculino o queniano Elias Chelimo dominou a prova toda. Teve como “fiel escudeiro” o etíope Tola Ketema. Após a metade da prova Elias tentou puxar Tola, pedindo que ele corresse na sua frente, mas o etíope já mostrava sinais de cansaço e não conseguia mais acompanhar o colega. Os sinais de cansaço de Tola ficaram mais evidentes a partir do quilômetro 28, ocasião em que Elias o deixou para trás e passou a correr sozinho até cruzar a linha de chegada em 2h13min59. Enquanto isso, cerca de 500 metros atrás, Franck Caldeira e Giomar Pereira também corriam juntos, um puxando o outro como forma de incentivo, mas não conseguiam chegar nos estrangeiros. Franck, já desvencilhado de seu companheiro de equipe, também ultrapassou o etíope e cruzou em segundo com 2h17min53 para delírio da torcida local, que aplaudia e gritava seu nome. O terceiro colocado foi José do Nascimento Souza, seguindo por Giomar e pelo etíope Tola Ketema.
“Essa foi minha primeira prova no Brasil e gostei muito. Ainda tentei puxar o meu colega junto comigo, mas como ele não vinha resolvi apertar para tentar a vitória.”, afirma o campeão. “O tempo foi bom para correr, mas o vento contra atrapalhou um pouco”, completa o corredor de 27 anos.
Para Franck Caldeira, que não vinha apresentando resultados consistentes no último ano, a prova foi boa para recuperar o prestígio. “Correr em São Paulo é fantástico, eu tenho história aqui”, afirma o mineiro que já venceu a disputa em 2004. “Não cheguei a pensar no primeiro lugar, pois só um milagre me faria alcançar o queniano que tem 2h08 na maratona. Eu queria muito o pódio e foi uma vitória pessoal para aumentar a alto estima”.

Elias Chelimo - São Paulo 2009

Classificação Final Maratona Masculina:
1º - Elias Chelimo (QUE) – 2h13m59s
2º - Franck Caldeira (BRA) – Cruzeiro – 2h17m23s
3º - José do Nascimento Souza (BRA) – Facitec – 2h19m17s
4º - Giomar Pereira da Silva (BRA) – Cruzeiro – 2h21m36s
5º - Tola Ketema Nigusse (ETI) – 2h22m38s

Já no feminino a festa foi toda brasileira. Mesmo com um início forte da etíope Tolla Aberesh as brasileiros mantiveram o ritmo e fizeram as 4 primeiras colocações. Marizete Moreira atacou a etíope no km 19, onde a etíope tentou acompanha-la, mas não conseguiu. Enquanto Marizete abria cada vez mais, tendo apenas o vento contra como adversário, a etíope parecia ter chegado ao seu limite e ia perdendo posições para outras brasileiras.
Marizete chegou ao final da prova com fortes câimbras, mas mostrou muita garra e determinação. “Eu já fui vice duas vezes, terceira, quarta e quinta em outras edições, então a gente sempre almeja o primeiro. Graças a Deus chegou o dia”, comemora a campeã, que economizou um pouco até a passagem da meia. “A segunda parte desta prova é mais difícil, então como já sou ‘macaca velha’ aqui, deixei para aumentar o ritmo no final”, explica a competidora que sofreu com câimbras nas panturrilhas.

Franck Caldeira (E) e Marizete Moreira (D) - São Paulo 2009

Classificação Final Maratona Feminina:
1º - Marizete Moreira dos Santos (BRA) – Facitec – 2h42m24s
2º - Marizete de Paula Rezende (BRA) – Mizuno – 2h45m37s
3º - Marily dos Santos (BRA) – Mizuno – 2h46m27s
4º - Edielza Alves dos Santos (BRA) – Cruzeiro – 2h52m32s
5º - Tolla Aberash Tesfaye (ETI) – Fila – 2h54m09s

terça-feira, 26 de maio de 2009

O que é Maratona

Nosso Blog iniciará hoje um tópico intitulado “O que é...” Aqui, todas as semanas tentaremos familiarizar as pessoas com os termos que envolvem as Corridas de Rua: Maratona, Meia Maratona, Ultra Maratona, Split Negativo, Coelhos, Treino Intervaldo, Fartlek, e outros.

Hoje o assunto é Maratona!

Não raramente, ao conversar sobre Corrida de Rua, me deparo com a seguinte situação: pessoas que dizem que qualquer corrida é uma Maratona. A questão entra sempre em voga, pois creio eu, a palavra maratona personificar o que é uma corrida de rua. Maratona da Pampulha e Maratona de São Silvestre.

História - A Maratona é uma das mais antigas modalidades praticadas no mundo. Diz a lenda grega, que a modalidade surgiu no sacrifício de um herói. O grego Pheidíppides percorreu 40 quilômetros entre as cidades de Maratona e Atenas, ambas na Grécia, para levar a notícia da vitória grega sobre os persas no ano 490 a.c. Ao concluir o duro percurso, o soldado anunciou: “Νενικήκαμεν” (vencemos a batalha) e depois morreu.

Apesar de imprecisa, essa é a história mais romântica que ilustra a origem da Maratona. Nos Jogos Olímpicos de 1896 a modalidade obteve reconhecimento. Na época o seu percurso tinha 40 quilômetros, diferente da marca atual: 42,195km.

Maratona Olímpica - Jogos 1896

Esse acréscimo de 2,195km aconteceu no ano de 1908, nos Jogos Olímpicos de Londres. A família real exigiu que a Maratona passasse no jardim do Castelo Windsor, assim eles poderiam assistir à prova. Com a mudança, o percurso, que já estava definido, ganhou alguns quilômetros extras e até hoje quando se disputa uma Maratona, os participantes percorrem 42,195km.

Atualmente, o recorde mundial pertence ao etíope Haile Gebrselassie, que no dia 28 de Setembro de 2008, na Maratona de Berlim, estabeleceu o tempo de 2h 03m 59s. Apenas um brasileiros já obteve esse recorde e foi Ronaldo da Costa em 1998, também em Berlim, com 2h 06m 05s.

Haile Gebrselassie - Berlim 2008

No feminino o recorde pertence a britânica Paula Radcliffe que venceu a Maratona de Londres em 13 de abril de 2003 com o impressionante tempo de 2h 15m 25s, 3 minutos abaixo do antigo recorde, da etíope Catherine Ndereba 2h 18m 47s.

Paula Radcliffe - Londres 2003

No Brasil atualmente temos apenas seis Maratonas: Florianópolis (19 de abril), Porto Alegre (24 de maio), São Paulo (31 de maio), Rio de Janeiro (28 de junho), Foz do Iguaçu (27 de setembro) e Curitiba (22 de novembro).

Temos também a opção de Maratona de Revezamento, que cobrem a distância de 42.195m, mas são percorridas por equipes, onde cada atleta da equipe fica responsável por correr determinado número de km. Essa idéia de correr em equipe está crescendo muito e algumas empresas encontram nessa alternativa uma forma de motivar e unir seus colaboradores em torno de uma prática saudável. Para quem não consegue percorrer todo o trajeto sozinho, dividir o trajeto com amigos ou fmailiares também parece ser uma grande e divertida opção.

No Brasil a maior é a Maratona de Revezamento Pão de Açucar, que em São Paulo atingiu sua 16ª edição e reuniu nesse ano mais de 30 mil atletas. Temos o Ayrton Senna Racing Day, prova de revezamento realizada no autódrogo Internacional de Interlagos, onde ocorre o GP Brasil de Fórmula 1.

Em Santa Catarina teremos em julho a 3ª edição da Maratona de Revezamento Beto Carreiro. Essa será realizada dentro do parque temático Beto Carreiro no balneário de Penha. Estarei participando dessa prova com meus amigos do Sesi estadual. Em outra oportunidade estarei divulgado mais esse evento.

Com esse pequeno histórico concluimos: Maratona é uma prova de 42.195m! Qualquer outra prova que fuja desse número, não pode ser classificada como Maratona.

Se você quiser vencer algo, corra 100 metros. Se quiser experimentar uma nova vida, corra a Maratona.” (Emil Zatopek)

http://www.webrun.com.br/corridasderua/conteudo/noticias/index/id/7566
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maratona
http://www.revistacontrarelogio.com.br/materias/?6%20opções%20no%20Brasil%20para%20os%2042,2%20km.357

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Adriano Bastos vence Maratona de Porto Alegre

Ontem, na 26ª edição da Maratona de Porto Alegre, 4ª Maratona de Revezamento Braskem e Rústica de Porto Alegre, corredores de 17 Estados brasileiros povoaram as ruas da Capital. A fresca manhã de 18ºC de domingo recompensou o suor dos 4,5 mil corredores, protagonistas de uma paisagem que o Guaíba deixou ainda mais bela. Sem vento, o rio se transformou em um verdadeiro espelho d’água para testemunhar a vitória de Adriano Bastos, o hexacampeão da Maratona da Disney. Atrás dele, chegou o campeão do ano passado, José Pereira da Silva, de Natal, seguido por Giliard Pinheiro, de Santa Catarina.


Tremendo de frio e consciente de que era apontado como um dos favoritos, Bastos, que já havia disputado a Maratona de Porto Alegre em 2002, mal conseguia conter a felicidade por ter vencido pela terceira vez em 2009 – além da Disney, foi campeão em Santa Catarina – e, de quebra, melhorado seu tempo em relação a sua meta de 2h20min. Com os lábios roxos de frio, abrindo um largo sorriso, revelou-se aliviado por ter “acabado a pressão por vencer”. Seu maior objetivo como maratonista é chegar à Ultra-Maratona de Conrades, na África do Sul, em 2014. São 87km.

Classificação Final Maratona Masculina:
1º - ADRIANO BASTOS - 02h 19m 20s
2º - JOSÉ PEREIRA DA SILVA - 02h 21m 25s
3º - GILIARD ALTAIR PINHEIRO - 02h 22m 17s
4º - LAÍRTON DA SILVA - 02h 22m 48s
5º - GUSTAVO CAURIO - 02h 22m 55s


Para ver o resultado completo da 26ª Maratona Internacional de Porto Alegre, 4ª Maratona Revezamento Brasken e da Rústica de Porto Alegre acesse o link:

http://blogcorpa.blogspot.com/2009/05/26-maratona-internacional-de-porto_24.html

Carlos Roberto Oliveira venceu pela oitava vez a competição na cetegoria cadeirante com o tempo de 2h02min47s.

"Deus" era uma das palavras mais proferidas por corredores que completavam a Maratona. Passados os atletas de ponta, três horas depois começavam a aparecer os amadores, levantando as mãos para o céu, como se agradecessem por terem sobrevivido aos 42km.

Foto 01: Adriana Franciosi
Foto 02, 03 e 04: Mauro Vieira

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2521550.xml&template=3898.dwt&edition=12381&section=1036

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Vanderlei Cordeiro de Lima

29/08/2004 – Jogos Olímpicos de Atenas
Último dia prova – Maratona Masculina

Era fim de tarde em Atenas e a delegação brasileira voltava dos Jogos Olímpicos de Atenas com mais uma campanha medíocre, a maior da nossa história olímpica (4 Ouros, 3 pratas e 2 bronzes). Em instantes começaria a Maratona Olímpica e o Brasil, sem chance alguma de medalha, tentava encontrar alegria: éramos os reis do Voleibol! Para apagar os fracassos, Bernardinho e Giba eram entrevistados a todo momento, dando uma falsa impressão de que tudo era bom.

Algumas emissoras nem passaram a maratona, enquanto outras usaram-na para uma espécie de retrospectiva olímpica, um balanço das poucas conquistas. Apenas duas pessoas acreditavam que estava para acontecer história em poucos momentos: um paranaense de Cruzeiro D’Oeste chamado Vanderlei Cordeiro de Lima e seu treinador Ricardo D’Angelo.

Ricardo não pode estar junto com Vanderlei na hora da largada, mas deixou uma carta de apoio ao atleta: "Infelizmente, não estarei na largada. Mas tenha certeza de que meu espírito e coração estarão. Não só na largada, como durante todo o percurso. Estou muito confiante em um excelente resultado, como já conversamos...Este é um sonho que estamos acalentando há muito tempo. Saiba que, seja qual for o resultado, você sempre terá meu apoio e confiança"

Corrida que começou no final da tarde ateniense em um percurso belíssimo, porém duro, com muitas subidas e descidas. Vanderlei Cordeiro começou a surpreender antes dos 10 km, em que saltou do 35º lugar para a primeira posição. Depois, rompeu os 15 km na 16ª colocação, permanecendo sempre no pelotão da frente. A partir daí, assumiu a liderança lentamente, ganhando cada centímetro. Ninguém acreditava que aquela fuga do pelotão resultaria em alguma coisa, mesmo assim seguiu firme, sozinho, com os outros todos vendo aquele maluco, sem entender direito o que estava acontecendo. Até o km 36 seguiu soberano, quando aconteceu o que ninguém esperava.


Câmeras filmavam Vanderlei com um olhar compenetrado, nada passava pela sua mente que não fosse chegar ao final dos 42.195m como vencedor. Vemos então a cara do corredor se retorcer, um olhar de pânico toma conta de seus olhos, a TV corta o sinal. Quando volta, cadê o Vanderlei? Vemos um tumultuo do lado esquerdo da imagem e em seguida vemos nosso corredor sair do meio da platéia com uma cara de tristeza cortante, uma infelicidade profunda. Naquele momento, Vanderlei havia sido atacado por um padre irlandês, que invadiu a raia olímpica, agarrou e atirou-o contra a platéia. Um gigante grego ajudou o corredor a levantar.

"Senti uma raiva enorme... Ele tinha 25 segundos de vantagem, o que da uns 250 metros. Mesmo se os outros tirassem uns três segundos por quilômetro, não iam alcançar. Ele perdeu pelo menos uns 20 segundos ali, perdeu a concentração, teve de recuperar o ritmo", afirmou o técnico Ricardo D'Angelo.

Depois de 1h50m de prova o guerreiro havia sido atingido. Levantou, procurou o ritmo, a concentração e seguiu, lutando heróicamente até o final. Com 2 horas de luta foi duplamente ultrapassado. Quando entrou no Estádio Panathinaikon foi recebido com festa e alegria: estava chegando o campeão olímpico. Todas as pessoas ali acompanharam sua luta pelo telão de dentro do estádio. Quando estava para cruzar a linha de chegada seu rosto se encheu de vida, fez sua coreografia típica, o aviãozinho, e chegou mandando beijos para o mundo: Você pode ser derrubado, mas sempre deve levantar!

Ninguém notou os dois que haviam chegado antes dele. Nunca vi uma pessoa mais feliz! Os repórteres, ávidos por alguns palavrões e desabafos acalorados, típico dos jogadores de futebol, ouviram da humildade em pessoa, as mais lindas palavras já ditas: "Queria ganhar uma medalha olímpica e consegui o bronze. Abdiquei de muita coisa na minha vida para isso. Não foi por acaso e nem foi sozinho. Agora sou um cara realizado"

Os palavrões e desabafos ficaram por conta do oportunista presidente do COB Carlos Artur Nuzman, mas esse, a história fará questão de apagar.

Vanderlei Cordeiro de Lima ficou com a medalha de bronze e recebeu a maior honra do esporte mundial, o Prêmio Barão de Coubertin, por ter mantido acima de tudo o espírito olímpico.

Na premiação olímpica no Estádio de Atenas, o sorriso de Vanderlei iluminou o estádio. Foi mais aplaudido que todos! Nunca revindicou a medalha de ouro. Sabia que mais importante que a cor de sua medalha é o sentimento de que fez o melhor, de seu máximo!

Ele é o meu herói olímpico: Vanderlei Cordeiro de Lima!

http://www.vanderleidelima.com.br/
http://esporte.uol.com.br/olimpiadas/ultimas/2004/08/31/ult2247u457.jhtm
http://esporte.uol.com.br/olimpiadas/ultimas/2004/08/29/ult2247u452.jhtm